Nos últimos anos, o prémio tem-se afastado dos critérios tradicionais que mantinha este concurso desde há 52 anos, que é ainda o de maior participação de repórteres fotográficos. Se até há três anos proliferava a imagem comovedora, agora já não é assim. A presidente do júri, Mary Anne Golon, afirma que "os fotógrafos se tornaram criativos; a maioria dos participantes envia fotografias conceptuais, a história que contam é mais importante que a imagem que mostram".

O júri internacional premiou ao todo 64 fotógrafos de 127 nacionalidades em dez categorias: Notícias de actualidade, Temas de actualidade, Personagens de actualidade, Desportos em acção, Reportagens de desportos, Temas contemporâneos, Vida quotidiana, Retratos, Arte e Natureza, tanto em fotografias individuais como em reportagens gráficas ou portfólios até doze imagens.

O espanhol Pep Bonet ganhou o segundo prémio na categoria Retratos. O belga Mashid Mohadjerin ganhou o primeiro prémio na categoria Temas de actualidade com a imagem de um guarda-costas de Lampedusa que foca um barco de refugiados. A americana Callie Shell acompanhou o casal Obama em campanha e a sua emotiva reportagem, em que mostra o lado mais humano daquele que chegaria a presidente dos EUA, foi galardoada na categoria Personagens de actualidade. Além disso, imagens assustadoras do terramoto de Sichuan, dos bombardeamentos da Geórgia ou os conflitos pós-eleitorais no Quénia; divertidas como as dos Jogos Olímpicos de Pequim, etc., foram percorrendo na sua totalidade a memória colectiva de 2008 e mostrando também a qualidade desta área profissional.

Fotografia premiada. Anthony Suau para a Time (EUA)

press"Esta fotografia lembra um tema clássico: os bons perseguem e prendem os maus. Mas nesta fotografia não há maus, são pessoas como o senhor e como eu que num momento determinado não podem pagar - explica à Aceprensa Ayperi Ecer, vice-presidente da Reuter Imagens e membro do júri. A foto parece simples; no entanto, é de uma grande complexidade, sugere perguntas, é preciso documentá-la para ser compreendida. Não é artística, é fotojornalismo que mostra a mudança de equilíbrios: o sistema económico que falhou." Ayperi acrescentou que também convida os repórteres a ilustrar mais a crise, pois se alguma coisa não se entende, é o porquê de ainda faltarem imagens.

Os prémios serão entregues em Amsterdão no próximo dia 4 de Maio, durante a inauguração da exposição itinerante. Esta, com todas as fotos premiadas, percorre o mundo fazendo escala em mais de oitenta cidades.

Carmen Montón, em Amsterdão


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