A acção decorre numa escola problemática de Paris, onde convivem raparigas e rapazes de procedências étnicas muito diferentes. François, professor de língua, não se limita a ensinar o uso correcto de francês, mas conversa com os alunos, estimula-os a pensar, a raciocinar sobre as suas próprias ideias. A relação não é perfeita: há alunos que correspondem melhor que outros. Mas esse é o desafio de François: motivá-los um dia após outro, tratá-los com respeito.O cinema francês tem tradição na abordagem da educação de modo sugestivo: basta pensar em Ça commence aujourd´hui / Quando tudo começa ou Être et avoir/ Ser e ter. Além disso, como na França se ensina cinema nas aulas, tem muito sentido a viagem inversa, ensinar educação nos ecrãs. Cantet, Bégaudeau e Robin Campillo articulam um enredo muito realista. O espectador tem a sensação de ser ele próprio uma câmara oculta, testemunha do que acontece nas aulas e nas reuniões de professores. Cantet quis mostrar apenas o que decorre na escola e não o que se passa lá fora. Isto, longe de escamotear a vida dos personagens "fora de portas", serve para realçar ainda mais o que acontece nas aulas e a influência recíproca do que se passa dentro e fora.
O filme contém interpretações muito naturais, embora Cantet negue que os alunos se interpretem a si mesmos. O realizador montou um estúdio com alunos de uma escola e dos 50 assistentes iniciais 25 continuaram comprometidos quando arrancou a rodagem. O modo como decorre cada aula é atraente; os rapazes, credíveis; e eliminaram-se estereótipos tão difíceis de evitar (pense-se nas dificuldades de Freedom Writers /Páginas de Liberdade).**
José María Aresté
*(D: diálogos grosseiros)