As pessoas que não estavam de férias reagiram com o habitual comportamento bipolar que estas notícias costumam provocar: ou extremamente assustadas com o facto de poderem vir a impor limites de idade à possibilidade de continuar a viver, ou a favor da referida tomada de posição, invocando o risco de obstinação terapêutica e a autonomia da pessoa sobre a sua própria vida. No semanário Elsevier, uma coluna relaciona esta medida com a "encosta escorregadia"da moral que deu origem à legalização da eutanásia, ao fazer depender do paciente o direito de decidir por si próprio o momento em que deve morrer ou o de ponderar as medidas terapêuticas em função dos seus custos e, ainda mais grave neste caso, impondo um limite de idade.
Para compreender melhor no seu contexto a medida, temos que ter em conta que na Holanda existem casas para idosos, com diferentes propostas de assistência, conforme o nível de dependência e outros lares, exclusivamente para idosos muito doentes. Nestes últimos trabalham médicos com uma especialidade que só existe nos Países Baixos. Aqui já funcionava, há quatro anos, com o consentimento da subsecretaria da saúde, a medida do «não desejo ser reanimado, a não ser que...», embora não associada à idade.
Contudo, na intenção manifestada recentemente pela Casa Sint Pieters em Blokland Gasthuis, trata-se de idosos em princípio, saudáveis, embora a velhice comporte sempre os seus achaques próprios.
«A política de não reanimar os idosos a partir dos 70 anos é um equívoco. Pessoas idosas vivem, normalmente, depois de serem reanimadas», afirma o cardiologista do hospital académico da Universidade de Amesterdão, Ruud Koster, membro do European Resuscitation Council (Conselho europeu para a reanimação).
De acordo com este médico, na Holanda, existe margem legal para recorrer ao desejo para não ser reanimado, mas também o direito a ser ajudado em caso de necessidade e a obrigação de prestar, a todos os indivíduos, cuidados médicos. A referida Casa procederia contra a lei negando aos seus residentes o que a lei estipula.
Koster apresenta percentagens de reanimação com êxito a partir de uma investigação realizada na Holanda do Norte. Também defende que haja em cada centro uma clara política de reanimação e pessoal com conhecimentos técnicos suficientes e que utilizem os meios mais modernos. «No acto de reanimar - afirma Koster numa entrevista - a rapidez e qualidade da ajuda são os primeiros requisitos para um bom resultado»
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Carmen Montón