Este estudo foca aspectos interessantes sobre o materialismo. Por exemplo, é efectuada uma comparação entre o modo como os pais ingleses estão sempre a comprar brinquedos aos seus filhos e a atitude muito mais comedida dos pais suecos e espanhóis. Num comentário particularmente ilustrativo, citado no relatório, uma mãe inglesa congratula-se por não comprar um brinquedo aos filhos cada vez que sai de casa. O relatório também menciona as caixas nos lares britânicos que estão cheias de brinquedos, a maioria dos quais as crianças já esqueceram.
Neste ponto, os pais irlandeses aproximam-se muito mais dos seus colegas ingleses do que dos suecos ou espanhóis.
Porém, ao focar apenas a desigualdade e o materialismo e ao deixar de fora outros aspectos chave que influenciam o bem-estar infantil, como seja a estrutura familiar, a Suécia surge quase garantidamente no topo deste tipo de relatórios porque é uma sociedade muito igualitária que parece rejeitar alguns dos piores excessos do consumismo.
Mas precisamente porque é tão igualitário, o estado sueco também despojou totalmente o casamento do seu carácter especial na sociedade sueca. É uma das razões pelas quais a Suécia tem uma baixa taxa de casamentos, uma taxa muito elevada de coabitação e uma taxa igualmente elevada de filhos fora do casamento (mais do que um em dois de todos os nascimentos).
É francamente forçado sugerir que isto não tem qualquer impacto nas crianças suecas, quando sabemos que a família baseada no casamento é aquela que mais seguramente produz os melhores resultados para os filhos.
Com efeito, a própria UNICEF, no seu Report Card 7, publicado em 2007, sentiu-se forçada a admitir que "há provas que associam o crescimento em famílias monoparentais ou famílias recompostas a um maior risco para o bem-estar - incluindo um maior risco de abandono escolar, de sair de casa cedo, de uma saúde pior, de um baixo nível de habilitações e salários baixos." Se até a UNICEF se sente preparada para o admitir (se bem que de uma forma muito cautelosa), então as provas a favor disto devem ser avassaladoras.
Perante os factos sobre a ruptura familiar na Suécia, como esperam que acreditemos que é um paraíso para as crianças?
Para além disso, e como Jonas Himmelstrand referiu na conferência do Iona Institute sobre "Mulheres, casa e trabalho " em Maio, a grande maioria das crianças suecas frequenta a creche desde o ano de idade. Mas por causa do compromisso da UNICEF com a igualdade a todo o custo (significando que todas as mulheres devem trabalhar, quer queiram quer não), não lhes ocorre perguntar se isto poderá ter um efeito prejudicial nas crianças.
Himmelstrand demonstra que tem de facto um efeito prejudicial, embora isto seja muito provavelmente também causado pelo declínio do casamento no seu país. Diz-nos, por exemplo, que o desempenho escolar das crianças suecas, que estava perto do topo das tabelas dos países ricos, é agora médio.
O número de crianças com problemas psicológicos está a crescer a um ritmo mais acelerado do que em 11 países comparáveis. Segundo um estudo citado por Himmelstrand, actualmente a Suécia tem dos problemas de disciplina escolar mais graves da Europa. E cita um estudo patrocinado pela UE e efectuado pela investigadora sueca Britta Johansson, que descreve as crescentes dificuldades que os pais suecos enfrentam na educação dos seus filhos.
Isto é evidente. Se a ruptura familiar na Suécia está tão vulgarizada e se o Estado força virtualmente os pais a colocarem os seus filhos em creches com um ano de idade, seguramente haverá problemas.
Um dia a ONU será suficientemente honesta para o admitir. E aí descobriremos que a Suécia não é o paraíso para crianças que parece ser.
David Quinn é um conhecido jornalista irlandês e director do Iona Institute.
O original deste artigo está em www.mercatornet.com



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