Depois de rodar Uma Outra Educação, um dos filmes mais interessantes do ano passado, Lone Sherfig dá-nos agora um drama romântico convencional. É a história de um casal que se conhece uma noite e mantém uma amizade de vinte anos. Ele é um imaturo e ela uma insegura, mas amam-se e apoiam-se, acontecendo muitas coisas ao longo de tanto tempo.
one day
Estão a mais alguns pormenores parvos que quebram o tom elegante do filme. Sobretudo, é uma pena que a realizadora dinamarquesa, autora também do muito conhecido Italiano para Principiantes, se meta num melodrama tópico, episódico, com uma história artificialmente alongada e com uma volta final própria, afinal de um principiante.

Grande parte do problema deve estar no romance homónimo do próprio guionista, David Nicholls, em que o filme se baseia. A impressão com que fica o espectador é a de que a história não dava para mais.

Apesar de tudo, há momentos em que se vislumbra a grande retratista de tipos humanos, não tanto na relação principal como nos enredos secundários: as conversas da mãe doente de cancro com um filho que está a delapidar a vida, as breves chamadas à amiga do peito, os encontros e desencontros entre pais e filhos, a tentativa gorada de duas personagens de erguer um casal sobre o nada. Graças a esses momentos, acabam por nos cativar todos os personagens. E isso não é só mérito dos actores (Anna Hathaway e Jim Sturgess vão muito bem). É muito fácil prender-se aos personagens de Scherfig , e desta vez isso também acontece, mesmo não sendo bom o filme.

Ana Sánchez De La Nieta 


(XD) - sexo e diálogos ordinários