O papel socializador da escola tem sido frequentemente invocado pelos críticos da escola diferenciada. Para estes, os melhores resultados escolares da escola diferenciada - não só em Espanha: no Reino Unido, 81 dos 100 melhores colégios não são mistos - não justificam a separação de sexos, porque se impede um bem maior: a convivência entre rapazes e raparigas, que os prepara para a futura convivência na sociedade.

A neurologista inglesa Anne Moir, autora do livro Brain Sex, não está de acordo com esta tese. Do seu ponto de vista, a socialização que a escola de facto deve proporcionar não consiste apenas em juntar rapazes e raparigas na sala de aula: "não é pelo simples facto de conviver que se aprende. Na sua opinião, a socialização está plenamente vinculada à aprendizagem: "se não se aprende, a socialização é irrelevante".

Esta neurologista defende o modelo de educação diferenciada porque está convencida de que é o que melhor capacita os alunos para o futuro convívio em sociedade. Segundo Moir, a questão está em saber utilizar as diferentes capacidades cognitivas dos rapazes e das raparigas. O "tamanho único" não tem em conta essas capacidades e pode, além disso, criar certos preconceitos psicológicos prejudiciais para o aluno.

Moir toma o exemplo do desenvolvimento da inteligência emocional, que é muito mais tardio nos rapazes que nas raparigas: "Isto pode levar as raparigas a desprezar os rapazes da sua idade e a considerá-los estúpidos". A inteligência emocional tem muito a ver com o amadurecimento global da personalidade. Por isso Moir afirma que "este desenvolvimento lento [nos rapazes] leva à conclusão de que pôr os adolescentes nas mesmas turmas pode ter uma repercussão negativa no seu desenvolvimento, tornando mais pobre a comunicação entre os sexos ".

Trata-se de optimizar o papel socializador da escola, que é precisamente o ponto que os críticos da diferenciação apontam como o seu calcanhar de Aquiles. A escola diferenciada, no pensamento de Moir, não subestima o aspecto socializador da escola. Pelo contrário, toma-o muito a sério: "a socialização não acontece simplesmente; treina-se". Por isso, Moir aposta na educação diferenciada. E acrescenta: "Gostaria que os colégios se organizassem de modo científico e não politicamente".

Fonte: El País