Agora, o caso do Zimbabwe, classificado por esses investigadores como "um excelente êxito de prevenção", volta a colocar em primeiro plano a importância das mudanças de comportamento sexual para combater a epidemia.
Os dados indicam que, depois de um rápido crescimento da prevalência do contágio pelo HIV nos princípios dos anos 90, se alcançou um máximo dos 29% em 1997, e depois começou a baixar até aos 16% em 2007. A partir destes dados e de entrevistas em sessões de grupo, os investigadores fizeram uma reunião com organizações que trabalham neste campo no Zimbabwe para discutir as causas do declive. A conclusão unânime foi que "uma redução no número de parceiros sexuais é a causa próxima mais provável da recente descida no risco de HIV".
| A experiência do Zimbabwe volta a colocar em primeiro plano a importância das mudanças de comportamento sexual para combater a epidemia. |
Embora não pareça que tenha havido um recuo na idade de iniciação sexual, diversos relatórios revelam uma redução aproximada de 30% na proporção de homens com relações extra- matrimoniais. Além disso, houve uma considerável redução no número de homens que frequentam prostitutas.
Em compensação, ainda que o uso de preservativos tenha crescido de modo regular durante os anos 90, não aumentou mais entre 1999 e 2006 e o seu uso é muito baixo nas relações estáveis.
Mais receptivos à mensagem de fidelidade
A julgar pelas declarações dos entrevistados em reuniões de grupo, o principal motivo para as mudanças de conduta sexual foi a mortalidade causada pela sida entre pessoas chegadas. Os investigadores pensam que, paradoxalmente, também o retrocesso económico ajudou. Com a catastrófica gestão económica do governo de Robert Mugabe, o PIB desceu cerca de 40% entre 1999 e 2005, o que reduziu muito as entradas pessoais e a possibilidade de pagar por sexo ou de manter vários parceiros sexuais.
Igualmente, muitos participantes nas discussões de grupo mencionaram que a mensagem de fidelidade, difundida em programas de prevenção desenvolvidas pelas igrejas - a insistência na B (Be faithful) do ABC - " foi aceite por muitos membros da comunidade".
Os investigadores interrogam-se também por que razão a descida observada no Zimbabwe é superior ao de outros países do Sul de África, onde a percentagem de adultos infectados pelo HIV oscila entre os 12% e os 26%. A conclusão a que chegaram é que o Zimbabwe se destaca por ter altos níveis de pessoas com estudos secundários e casadas. Esta combinação favorece uma melhor compreensão da relação entre comportamento sexual de risco e sida, e uma atitude mais receptiva às mensagens que invocam fidelidade.
A conclusão do estudo é que a experiência do Zimbabwe tem implicações importantes para a prevenção da sida em África. A lição que emerge é que "no Zimbabwe, como noutras partes, a redução de parceiros sexuais parece ter tido um papel crucial na reversão da epidemia do VIH. Os programas dos sectores público e privado no Zimbabwe apoiam-se agora neste conhecimento para fazer advertências mais firmes contra os parceiros sexuais múltiplos e para promover a fidelidade, além do uso regular do preservativo e de outras abordagens com resultados, como a circuncisão masculina. Esforços similares estão a surgir noutros países da região, como uma enérgica campanha na Suazilândia, que adverte para os perigos de ter amantes secretos" (cfr. www.aceprensa.com, 14-2-09).
Aceprensa



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