A fotografia foi eleita entre mais de 100.000 imagens enviadas por 5.847 profissionais de 125 países. Este concurso, o maior enquanto participação e o mais internacional no seu ramo, é-o também no que diz respeito ao júri composto por 19 fotógrafos e editores de imagem de todo o mundo para eleger os prémios. Entre os vencedores encontra-se de novo Fernando Moleres na categoria de Reportagens da Vida Quotidiana com uma série de jovens numa prisão na Serra Leoa. Outros espanhóis são Guillem Valle com uma fotografia de um Dinka no Sudão do Sul e Gustavo Cuevas de EFE com a terrível cornada que apanhou Julio Aparicio na corrida de 21 de Maio passado. Enrique Martí, espanhol também, editor regional de AP para a América Latina e Caribe, fazia parte do juri.
O presidente do juri, David Burnett, aconselhou os repórteres fotográficos a seguir a sua própria intuição: "Com o desenvolvimento da tecnologia digital é tal a concorrência, que as fotografias feitas com o coração guiado pela intuição têm mais possibilidade de se destacar do que as realizadas a pedido da redacção". Burnett destacou a elevada proporção de profissionais italianos premiados e o facto de que várias fotografias tenham sido feitas por fotógrafos locais. "Não é preciso procurar o exótico, o êxito está ao virar da esquina". Isto passou-se com a fotografia do toureiro, feita por um espanhol, e o mesmo se passou com séries sobre o Bangladesh, o México e a Somália, fotografadas por profissionais desses mesmos locais.
As obras dos 56 fotógrafos galardoados são uma recapitulação da memória de 2010. Mostram desde o terramoto do Haiti e as erupções vulcânicas na Indonésia, passando pela guerra do narcotráfico no México, as inundações do Paquistão ou uma fotografia de Julian Assange, fundador do Wikileaks, do irlandês Seamus Murphy.
Uma novidade foi a entrega de uma Menção Especial à reportagens feitas por não profissionais. Exemplo disso é o dos mineiros soterrados no Chile. O fotógrafo Adam Patterson enviou uma pequena câmara digital a Eduardo Peña e deu-lhe instruções para que mostrasse como viviam a 700 metros debaixo da terra. A WPPH quer premiar estes cidadãos que substituem os repórteres fotográficos quando estes não estão no lugar da notícia.
Uma exposição itenerante com as fotografias premiadas percorrerá 100 países depois da inauguração em Amesterdão, onde Jodi Bieber receberá o seu galardão, no valor de 10.000 euros. Finalmente a maior distinção, pois já tinha ganho oito prémios nas diversas categorias nas que se pode concorrer.
Carmen Montón



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