Até agora, as causas do declínio humano e do desenvolvimento simiesco, dentro desta saga, relacionavam-se com a guerra nuclear e com o curioso paradoxo apresentado em Fuga do Planeta dos Macacos (1971) a cargo do doutor Otto Hasslein (Eric Braeden). Na versão de Tim Burton (2001), a explicação era tão sucinta, que o enredo mal tinha interesse.
Por seu lado, em Planeta dos Macacos - A Origem, a investigação científica acerca dos sistemas neuronais adquire uma densidade suficiente, que serve como ponto de partida verosímil. Na sua busca de um remédio contra o Alzheimer, o jovem cientista Will Rodman (James Franco) inventa um fármaco que revoluciona a inteligência do macaco. A partir daqui, a história do chimpanzé César (Andy Serkis), dotado de consciência, orienta-se no sentido de capitanear uma rebelião contra o ser humano.
O filme usa de forma maravilhosa os efeitos visuais de Avatar e O Senhor dos Anéis, pelo que os movimentos dos símios resultam absolutamente credíveis. Neste sentido, destaca-se notavelmente das versões precedentes. Ao mesmo tempo, Planeta dos Macacos - A Origem inclui um argumento paralelo que, revelado no final, ameaça o futuro da espécie humana.
No entanto, a esta longa-metragem retira força o abuso das caracterizações maniqueístas, assim como do sentimentalismo. Além disso, o piscar de olho a outros filmes da saga torna-se cómico e até crispado. Chega-se a extremos ridículos com pequenas referências (ou plágios?) a Shakespeare, em especial um recurso a O Rei Lear, que Kurosawa pintou no seu Ran (1985).
O Planeta dos Macacos - A origem abunda em clichés: a sociedade farmacêutica como sinónimo de lucro imoral; as jaulas para animais como analogia de prisão; a passagem injusta pela cadeia como etapa de maturidade de um líder, etc. Além de que, neste filme, o drama da relação entre humano e símio fica muito aquém do conseguido em Gorilas na Bruma (1988), com Sigourney Weaver, e Instinto (1999), com Anthony Hopkins, já por si discutíveis.

José Maria Sánchez Galera
(V) - Violência



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