Seguindo a história da Igreja Católica, Woods, demonstra, em capítulos monográficos, o contributo que ela deu à cultura ocidental: a obra civilizadora dos mosteiros na Idade Média, o aparecimento das universidades, as maravilhas arquitectónicas da arte das catedrais, o desenvolvimento da ciência experimental a partir dos finais da Idade Média, as origens do Direito Internacional, os antecedentes da economia moderna na Escola de Salamanca, o desenvolvimento das obras de beneficência quando ainda ninguém se lembrava dos mais pobres, a erradicação progressiva de muitos dos comportamentos desumanos... Em suma, pode ver-se como a fé foi fonte inspiradora de iniciativas e energias para fazer o bem.
Certamente que fez tudo isto, no entanto, não deixa de reconhecer actos graves cometidos, ao longo dos séculos, por alguns dos seus filhos, cujas atitudes a própria Igreja condenou e pelas quais pediu perdão no Jubileu do ano 2000. Contudo, isto não tira nada à realidade daquilo que é exposto neste livro, que não é triunfalista, mas sereno e verdadeiro. A sua conclusão é que «a Igreja católica não prestou a sua contribuição só à civilização ocidental; a Igreja construiu essa civilização». Em contraste com o que escrevi anteriormente é, a meu ver, excessivo, no último capítulo, o seu desprezo pela arte moderna como reflexo de uma cultura sem Deus.
Woods não pretende fazer novas descobertas a partir das suas próprias investigações. Os méritos principais são a sua capacidade de síntese das investigações já publicadas - citando sempre a bibliografia - e a sua eficaz capacidade de expor, com citações e dados adequados. Ele desmonta, deste modo, muitos assuntos que, nos nossos dias, passam por moeda legal em novelas ou romances pseudo históricos e também em livros de teor narrativo. Por exemplo, para quem acredita que a relação entre Igreja e a ciência se resume ao caso Galileu, pode ler, como autêntica novidade, o capítulo dedicado ao nascimento e desenvolvimento da ciência experimental no âmbito da matriz cultural cristã. Actualmente, causa uma certa dificuldade lembrar os erros da civilização ocidental e, não escondemos, os da Igreja Católica. Woods libertou-se desta inibição e, talvez por isso, o seu livro possa ser considerado inovador para os tempos que correm.
Ignacio Aréchaga



Enviar a alguém
Imprimir
Partilhe?



Aos leitores e associados de Aceprensa