Zuma, um polígamo declarado, está prestes a juntar uma terceira esposa à sua família. Segundo informações da imprensa local, já terá entregado o lobolo, o tradicional pagamento em dinheiro ou gado que o noivo faz à família da noiva. Trata-se de Thobeka Mabhija, de 34 anos, uma mulher bem conhecida na vida social de Durban, com a qual já teve dois filhos.

Será o quinto casamento de Zuma, ainda que apenas lhe restem três esposas, já que uma delas se suicidou, e que Zuma se divorciou de outra, a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Nkosazana Dlamini. Ao todo, Zuma tem 17 ou 18 filhos (as fontes divergem). É um autêntico, «pai da pátria», tanto em termos políticos como familiares.

A constituição sul-africana admite que, aquando do casamento, a pessoa opte pelo regime de poligamia. É uma situação muito pouco comum nas zonas urbanas, e praticada principalmente nas zonas rurais. Mas, entre os zulus ilustres - como Zuma -, é costume ter mais do que uma mulher. Também é necessário ter capacidade para tal, e há quem diga que a necessidade de sustentar uma família numerosa obrigou Zuma a fazer negócios pouco claros, pelo que o candidato se encontra envolvido numa investigação por corrupção.

A possibilidade de ter um presidente polígamo tem despertado a polémica em círculos que se estendem para além da boa sociedade. Que exemplo transmitirá ele aos cidadãos? Prejudicará a imagem do país no exterior? Será tal situação compatível com a igualdade entre homem e mulher?

Uns dizem que a poligamia de Zuma é um sinal do seu atraso cultural, que o desclassifica como candidato a presidente. Outros replicam que a África do Sul é um país democrático, com diferentes culturas, e que Zuma tem o direito de seguir os seus próprios valores culturais. Será a união polígama um modelo familiar pior que a monógama?

Os responsáveis do ANC, que têm gerido a notícia com um certo embaraço, declararam finalmente que «não vemos nada de mau no desejo de Zuma contrair novo casamento, de acordo com os costumes africanos e a prática tradicional». E há que reconhecer que a poligamia é bastante tradicional nessas terras. Certamente mais tradicional que o casamento entre homossexuais, que o Tribunal Constitucional da África do Sul reconheceu numa sentença de 2005. Se o sexo é irrelevante para o casamento, por que se há-de implicar com o número?

Era de esperar que o presidente do país mais avançado de África tivesse uma família mais de acordo com os tempos modernos. Mas Zuma afirmou sempre, sem complexos, o seu orgulho de polígamo: «Há muitos políticos que têm amantes e filhos», declarou certa vez, «que os escondem para aparentar que são monógamos. Eu prefiro ser sincero. Amo as minhas mulheres e tenho orgulho nos meus filhos.»

Se Zuma conseguir escolher a first lady sem pôr em causa a paz familiar, será um sinal da sua capacidade de negociação política.

Ignacio Aréchaga