Neuhaus nasceu em 1936 no Ontário (Canadá). Seguindo os passos do seu pai, foi ordenado pastor luterano em 1960. Nos anos seguintes, conciliou o seu ministério numa comunidade pobre de Nova Iorque com o activismo político. Opôs-se rotundamente à guerra do Vietname, ao mesmo tempo que defendia diferentes causas da esquerda. Como fruto desses anos convulsos surgiu o livro The Thorough Revolutionary.
Mas Neuhaus começou a distanciar-se do progressismo radical quando o Tribunal Supremo dos Estados Unidos promulgou em 1973 a sentença Roe vs. Wade, que legalizou o aborto no país. Em 1990 converteu-se ao catolicismo e um ano depois foi ordenado sacerdote católico pelo cardeal John O'Connor de Nova Iorque.
Numa carta dirigida aos seus amigos e colegas explicou as razões que o levaram a converter-se ao catolicismo. Estava convencido de que "já não era necessária, se é que alguma vez tinha sido, a existência eclesial separada do luteranismo". Por isso, lançou-se a "procurar a reconciliação eclesial e restaurar a plena comunhão com o bispo de Roma e as Igrejas em comunhão com ele".
Desde esse momento, o ecumenismo converteu-se num dos seus principais empenhos. Em 1994, juntamente com Charles Colson, promoveu a declaração "Evangelicals and Catholics Together". A ela aderiram destacadas personalidades como Mary Ann Glendon e o Rev. Pat Robertson. Também fundou o Institute Center on Religion and Society de Nova Iorque, forum de encontro entre teólogos protestantes e católicos.
Outra preocupação fundamental de Neuhaus foi o papel da religião na vida pública. Ocupou-se pela primeira vez desta questão no seu livro The Naked Public Square, publicado em 1984. Esta obra alimentou com sugestivas ideias a convicção de que a religião não deve ficar reduzida à vida privada.
A hora da Igreja católica
Três anos mais tarde voltou a abordar o assunto em The Catholic Moment. A sua tese principal é que as Igrejas protestantes, guiadas pelos "teólogos da secularização", estão em processo de decomposição e sem recursos para regenerar espiritualmente a sociedade norte-americana. Nesta situação - afirma Neuhaus -, só do catolicismo pode surgir uma proposta válida.
Por quê precisamente da Igreja católica? "Porque as outras comunidades cristãs - declarava Neuhaus numa entrevista - não estiveram à altura das circunstâncias: ou adaptaram a fé cristã, sem critério, aos parâmetros culturais dominantes, perdendo a sua peculiaridade cristã; ou se afastaram do mundo contemporâneo, refugiando-se num gueto do fideísmo".
Isto criou um vazio de valores na vida pública. Neuhaus detecta nos Estados Unidos "uma profunda sede de testemunho religioso público que possa elevar o nível moral da nossa sociedade". O catolicismo seria a força religiosa mais consistente para empreender esta tarefa, pois a sua doutrina leva-o a não renunciar a um juízo moral sobre a vida pública, sem recorrer para isso a soluções teocráticas.
Neuhaus é considerado, juntamente com George Weigel e Michael Novak, um dos intelectuais católicos mais emblemáticos dos Estados Unidos. Assessorou o presidente George W. Bush em questões controversas como o aborto, a investigação com células-mãe e a clonagem. Em 2005 a revista Time incluiu-o - apesar da sua filiação católica - na lista dos 25 evangélicos mais influentes dos Estados Unidos.
Num artigo publicado por National Catholic Reporter (8-01-2009), o jornalista John L. Allen descreve Neuhaus como artífice de duas alianças com importantes repercussões na política dos Estados Unidos: uma entre católicos ortodoxos e evangélicos; outra, entre os defensores da economia de mercado e os votantes que atribuem particular atenção a questões de valores.
Na mesma linha, Ross Douthat destaca em The Atlantic (8-01-2009) a capacidade de Neuhaus - fruto do seu interesse pelo factor humano - de "lançar pontes entre judeus e cristãos, protestantes e católicos, entre a fé e a economia de mercado e, sobretudo, entre cristianismo e liberalismo."
Juan Meseguer Velasco



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