Quais são as razões pelas quais se pede, oficialmente, perdão? No caso de um chefe político de um governo, pode ser eficaz no sentido em que pode distanciá-lo de um passado que o prejudica e o impede de atingir os seus objectivos. O governo de italiano, por exemplo, pediu desculpas pelo seu passado colonialista e previu indemnizações. Com esta atitude procura melhorar as relações com a Líbia bem como a cooperação no que toca a política de imigração.

Para Melissa Robles, historiadora do MIT, existem diversos motivos que incentivam a pedir desculpa. Por um lado, pode servir para dar protecção oficial uma interpretação histórica, sem ter de recorrer a leis, cujos procedimentos para a aprovação são mais polémicos. Para além disso, serve, também, para suster as queixas e as recriminações dos que se consideram vítimas visto que, ao pedir perdão pode parecer que têm em conta esse facto.

Conforme lembra The Economist, no entanto, os pedidos de desculpas nunca vêm sós, porque com esses pedidos se concretiza um processo de «vitimização». Dessa forma, acompanham ocasiões de compensações económicas: a Alemanha a Israel, os Estados Unidos da América aos japoneses durante a II guerra Mundial.

Em outras ocasiões as reparações podem ser canalizadas através de tratamento diferente e benéfico, uma discriminação positiva. Em qualquer caso, o acto oficial de contrição pode ocasionar uma «enchente» de demandas judiciais e processos que poderiam atulhar os tribunais e despender esforços e recursos públicos para reanalisar factos do passado.

Este é o preço que temos que pagar por politizar a história.

Josemaría Carabante