O cineasta indo-americano de 37 anos (O sexto sentido, A Senhora da Água) é de novo brilhante ao criar e manter uma atmosfera de angústia, em que emergem com uma lucidez estridente conflitos humanos de primeira ordem, como a violência do instinto de sobrevivência, a força do amor, o valor do sacrifício, a fidelidade conjugal e o perdão, os limites da ciência e da fragilidade humana perante os mistérios da natureza, usado talvez pela providência divina para ajudar o homem a delimitar o sentido da vida e os valores verdadeiramente importantes para o atingir.
O desenvolvimento e desenlace do filme nunca chegam a alcançar a potência visual e dramática do esplêndido arranque. E no empenho para conseguir o mesmo vigor Shyamalan carrega um pouco na violência, por exemplo, na sub-trama dos dois adolescentes que acompanham os protagonistas durante algum tempo. De qualquer modo, Shyamalan consegue uma rigorosa direcção de actores - excelente, no que se refere a Mark Wahlberg e Zooey Deschanel -, arranca várias sequências com uma emotividade surpreendente e confirma - através da sua inquietante encenação - que é o melhor discípulo actual de Alfred Hitchcock, o mago do suspense.
*(V: cenas de violência)



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