Nicholas Negroponte, director de One Laptop Per Child (OLPC), anunciou algumas mudanças importantes nas últimas semanas. A mais polémica é a aproximação à Microsoft, com a demonstração de um portátil compatível com o Windows. Além disso, apresentou a nova versão do XO, o XO2, que será comercializado a partir de 2010. Negroponte definiu-o como um novo conceito na tecnologia do ensino. O XO2 combinará funções de tablet PC, portátil, dispositivo para livros electrónicos e quadro digital.

O acordo entre a OLPC e a Microsoft chamou a atenção porque, aquando da apresentação do XO, Bill Gates denegriu o projecto. Foi decidido desenvolver um sistema operativo específico a partir do Linux com a ajuda desinteressada de voluntários, para tornar mais baratos os custos de produção. Muitos entenderam que o projecto defendia os partidários do software livre face à Microsoft.

Pois bem, o fundador da OLPC explicou que a sua missão não é apoiar o software livre mas melhorar a aprendizagem das crianças nos países em vias de desenvolvimento. A decisão de estreitar laços com a Microsoft poderia entender-se, então, como uma medida estratégica para aumentar a sua expansão: alguns países mostravam-se relutantes em comprar o XO precisamente pelo seu sistema operativo; para o bem ou para o mal, explica Negroponte, o sistema mais utilizado é o Windows, que já conseguiu instalar-se nas escolas de alguns países em vias de desenvolvimento.

Por outro lado, a instalação do Windows tornará o XO mais caro. Ainda que a Microsoft tenha previsto que se venda com o portátil ao preço de 3 dólares, também serão necessárias algumas alterações do hardware. No total, os novos equipamentos poderão atingir os 200 dólares.

Como explicava The Economist (7.6.2008), o XO representou um desafio para as empresas que dominavam o negócio dos computadores portáteis. A Intel, a Dell ou a Assus são algumas das que decidiram baixar o preço das suas ofertas sem perder, por isso, a qualidade dos seus produtos. Procuram, assim, tomar posição nos mercados emergentes. A Intel, que colaborou com a OLPC, produziu o Classmate PC, que se converteu no principal rival do XO: apesar de ser mais caro - cerca de 300 dólares -, acaba por ser mais atractivo para o público em geral porque utiliza o Windows. A Assus vendeu no ano passado 300 000 Assus Eee PC, o mesmo número que conseguiu a OLPC, mas com a vantagem de dispor de várias versões. A última empresa a meter-se no novo negócio foi a HP, que lançou o Mininote a 500 dólares.

Se não há dúvida de que o XO embarateceu, de uma forma geral, o preço dos equipamentos portáteis, a pergunta é se isso favorece ou prejudica o projecto da OLPC. Nesse sentido, Negroponte acusou a indústria de ir directamente contra o XO. E recorda que a OLPC não está interessada no mercado mas em favorecer e melhorar o ensino das crianças através da tecnologia.


Aceprensa