Conta a vida de uma criança, Liesel Meminger, que é acolhida por uma família, perto de Munique, no final dos anos 30. Liesel adapta-se perfeitamente à sua nova família, especialmente ao pai, Hans, um pintor desempregado que toca acordeão e que não se sente bem na ideologia nem na parafernália do regime nazi.
Hans ensina Liesel a ler e a relação da criança com os livros é um dos temas interessantes deste comovente romance, pois a acção decorre durante a 2ª Guerra Mundial, cujos efeitos serão certamente dramáticos nessa nação. A estrutura de A rapariga que roubava livros é original, com uma técnica que antecipa continuamente o que depois se relata, e que interrompe a narração para fixar a atenção nalgum aspecto.
A narradora é a Morte, despojada de ressonâncias macabras, embora não se oculte essa realidade nem as suas consequências (muito menos numa época como aquela). O romance está escrito com um estilo simples, ingénuo, coloquial e às vezes poético. Tem personagens com quem é fácil identificar-se – são particularmente interessantes o casal Hans e Rosa, assim como o judeu Max – e a mensagem é dura mas emocionante, fala ao coração. Há momentos intensos (os bombardeamentos durante a guerra e a vida do judeu Max), outros divertidos (a amizade com Rudy) e outros muito agradáveis ( a relação de Liesel com o pai e com Max).
O autor aproveita emocionalmente os momentos muito graves que Liesel tem que viver e sofrer, passagens dramáticas, que dão ao romance ênfase de melodrama. Mas acima de tudo destacam-se os valores humanos da maioria das personagens, que procuram viver com dignidade em circunstâncias que conduziam em sentido contrário.
De sublinhar é também o valor que o autor e as personagens dão aos livros e à leitura.



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