Um filme inesquecível, de tal modo rico pela sua história e pelo tratamento estético. Com toda a justiça valeu a Julian Schnabel o prémio para o melhor realizador em Cannes e aspirou a quatro Óscares. Conta a história real de Jean-Dominique Bauby, um jornalista francês que depois de ter uma trombose fica paralisado: só pode mexer um olho e a pálpebra. E com tão escassos meios conseguirá comunicar-se com o mundo exterior, com os seres queridos, o médico, a terapeuta da fala...e inclusive escrever um livro.
Com uma narração comovedora, foge do sentimentalismo fácil. Aborda com valentia temas como o sofrimento, o desejo de morrer e de viver, a atenção dos doentes deste tipo, o sentido da vida, a espiritualidade...E, sobretudo, uma originalíssima realização, com os planos subjectivos do doente, a decisão de não o mostrar antes de estar bem avançada a metragem, as cenas oníricas em que entra em jogo a imaginação, o bom uso da voz off...Trata-se de um filme que roça, se é que não alcança, a perfeição.
É muito meritório o trabalho de todos os actores, mas trata-se de uma grande obra do realizador. Schnabel demonstra ser um artista integral, um grande criador que conjuga a narração de uma boa história, a elaboração de novos modos estéticos, a colaboração com artistas como o director de fotografia Janusz Jaminski, os produtores Frank Marshall e Kathleeen Kennedy, a decisão de rodar em francês, a luminosidade...O cineasta contribui com muito da sua parte, mas ao mesmo tempo também sabe jogar com os símbolos originais imaginados pelo próprio Bauby, como sentir-se preso dentro do seu claustrofóbico escafandro, a capacidade de se exprimir mexendo as pálpebras, como o bater das asas de uma borboleta.
*(X: sexo; D: diálogos grosseiros)



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Filmes Premiados nos Óscares 2010