Antes da guerra civil, tinha iniciado a sua carreira literária com a publicação de alguns relatos, género que dominou com mestria, como se pode apreciar em Cuentos, uma compilação de todos os seus relatos publicada em Espanha pela Edhasa. Em 1937 escreveu Aloma (reescrita em 1969), obra que antecipa as suas grandes qualidades narrativas. A partir de 1954 viveu exilada em Genebra, regressando à Catalunha em 1979. Outras obras: Jardin frente al mar (1967), Espelho partido (1974), de que há tradução portuguesa, Cuánta, cuánta guerra (1982). Depois da sua morte, publicaram-se La muerte y la primavera (1986) e Isabel y María (1993). Em 1981 foi-lhe concedido o Premi d'Honor de les Lletres Catalanes. Na sua obra destaca-se a presença multifacetada de figuras femininas.
A Praça do Diamante é um dos melhores romances sobre a guerra civil espanhola. Tem como protagonista Colometa, uma mulher simples, que relata na primeira pessoa uma parte da sua vida, dos anos vinte até ao imediato pós-guerra. O romance começa quando Colometa conhece o seu futuro marido Quimet, num baile realizado na praça do Diamante. Vem depois a parte mais intensa: o drama da guerra civil, que destroça a vida de Colometa. O final é a reconstrução íntima e familiar de uma vida destroçada por acontecimentos que a ultrapassam. São relatados trinta anos da vida de uma mulher barcelonesa, que explica a realidade a partir do seu peculiar ponto de vista: coloquial, lírico, insignificante, doméstico, ingénuo, dramático e cheio de muitos detalhes aparentemente intranscendentes.
Com um estilo impressionista e coloquial Rodoreda retrata, com grande qualidade literária, a intimidade de uma mulher afastada da política e dos grandes discursos e acontecimentos, que sofre na sua vida o desvario da guerra civil. A análise psicológica que Rodoreda realiza está cheia de sugestões e de pequenas peripécias quotidianas.
Adolfo Torrecilla



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